O vento açoitava a pequena menina no ponto de ônibus deserto. Carregava uma pequena mala, uma manta de retalhos coloridos e uma trouxa.
Esperava já há muito tempo, com aquelas roupas incapazes de protegê-la do frio seco e desértico. Se encolheu mais um pouco debaixo da cobertura minúscula de concreto rachado e encarou a estrada poeirenta e deserta. Todo mundo sabe como se atrasam esses ônibus madrugadores do sertão.
Quando apareceu não era mais que uma velha carcaça enferrujada pelo salitre e pelo vento. Custou a frear, e teve que retroceder um pouco em marcha a ré.
O vento uivou novamente quando a porta se abriu e a menininha entrou. Entregou alguns trocados para o cobrador e o encarou com os grandes olhos cheios de sono. Tanto ele quanto o motorista também tinham filhas pequenas.
O cobrador a acomodou no fundo do ônibus, onde haviam duas poltronas coladas. Ela se deitou, com a cabeça sobre a trouxinha de pano e coberta com a manta; ele encaixou a mala debaixo do banco.
Mais um dia amanhecia, e uma menina sem nome dormia em um ônibus qualquer perdido na poeira do sertão.
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