Phineas Corp era um agente funerário. Vivia como todos os outros homens, e apesar de sua esposa ter apresentado em todas as suas gestações um notável enjôo ao cheiro de formol, se negava a abandonar a sórdida profissão.
A senhora Corp, uma corpulenta senhora de voz grave, não achava apropriado que o marido; descendente de uma família de prósperos comerciantes - porém um tanto descuidados com a contabilidade - se dedicasse, ou melhor, escravizasse em tão deprimente ramo do setor de serviços.
Phineas discordava. Lhe agradava a rara beleza dos caixões, coroas de flores e crucifixos. A atuação dos choros fingidos o comovia e o disparate nas escolhas para o velório o divertiam.
Café ou chá? Biscoitos ou bolinhos? Flores brancas ou amarelas? Caixão pintado ou envernizado?... Por via das dúvidas, Phineas deixava uma carta com todas as suas recomendações post-mortem; não queria sequer imaginar aqueles pirralhos histéricos que concebera discutindo pela decoração de sua pedra tumular.
Phineas Corp ia morrer. Não de forma indefinida, como sempre se pensa na vindoura morte de alguém, mas sim naquele mesmo, num infeliz, porém comum; acidente com o carro da funerária. Esse trabalho vai acabar te matando, dizia a senhora Corp.
Pobre Phineas, mesmo apesar de todos os seus esforços, sua família não encontrou sua carta de recomendações. E ele acabou sendo enterrado com um caixão cor de azul celeste, cor que detestava e considerava a mais inapropriada para funerais. Mais tarde, após o velório, todos comentariam que o pobre morto tinha uma cara de desgosto de dar dó...
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