Corredor da Alma - #4
O silêncio era como estar debaixo d'água. O fato de as luzes elétricas continuarem funcionando era um tanto alarmante, mas passou despercebido às duas pessoas que caminhavam pelo corredor.
Abgail abriu a primeira porta do lado direito. Edgar esperava encontrar um escritório ou sala de arquivos qualquer, mas o que viu era muito diferente disso.
Era um salão maior por dentro do que por fora, todo coberto de espelhos; o teto, o piso e as paredes, com prateleiras psicodélicas de vidro trasnparente por todos os lados. Abgail piscou, absorvendo a terrível claridade, e quando abriu novamente os olhos, viu Edgar adormecido dentro de uma bolha num canto. No centro da sala se encontrava um ser ou criatura de aspecto bastante curioso:
De corpo esguio, parecido ao de uma rã, porém bípede. Tinha dedos longos e finos, e feições vagamente humanóides, a cor de sua pele úmida e repugnante era difícil de descrever, pois variava ligeiramente com a luz. Falava com voz untuosa. "Este é o teu lado. A ele não é permitido ver ou ouvir. Podes escolher o contrário, porém não desta vez."
"Encontrei Blur Yard, chegado o Momento."
A criatura deu uma risadinha e apontou o dedo afiado para Abgail. "Tu está interpretando de forma errada. O Momento é chegado porque encontraste Blur Yard, não o inverso."
Abgail não sabia o que pensar daquela colocação. "Como resolvo isso?"
"Tentes de tudo, prove! Não há encontro sem procura."
A criatura começou a se arrastar para trás. "Ainda tenho direito a uma resposta.". Argumentou a menina.
"Não sei porque deveria dar ouvido a uma criaturinha como você!" No arroubo de raiva, a criatura tocou o rosto da Abgail com o dedo afiado. Uma pequena explosão de luz a jogou de volta.
"É você quem controla isso?"
"Quem me dera." respondeu a coisa com cobiça mal disfarçada. "O Controlador está lá no alto - ela apontou para o teto com uma espécie de sigilo - mas você também pode sê-lo, algumas vezes.". E com um último sorrisinho gosmento, desapareceu na fusão dos seus próprios reflexos no canto.
Abgail notou a aparição de Edgar ao seu lado, como se nunca tivesse saído de lá. Agarrou o pulso dele e segurou a maçaneta. "Vamos sair daqui.".
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