31 de dezembro de 2012

Espionando Gaúchos - Resenha de Os Espiões de Luís Fernando Veríssimo

Os Espiões
Luís Fernando Veríssimo
2009, Editora Objetiva


Luís Fernando Veríssimo (também conhecido como Veríssimo Filho) é um dos meus escritores favoritos desde os sete ou oito anos de idade, o que não deixa de ser engraçado, porque ele é meio boca porca e não muito indicado para criancinhas. Mas para quem leu Crônica De Uma Morte Anunciada do Gabo antes dos 10 anos, acho que não causa danos morais.
Lembro que meu primeiro livro para-didático foi uma coletânea de crônicas dele da coleção Para Gostar de Ler. Amo de paixão aquele livro. Depois li várias outras crônicas, o livro Gula (que sempre me deixava com  fome) e até me aventurei a ler o ilustríssimo Veríssimo Pai, em Incidente em Antares.

Até que recentemente compramos Os Espiões na banca de revistas. Minha mãe leu primeiro, disse que achou diferente. Como Emma de Jane Austen estava me matando de tédio (mas nada contra), resolvi tentar. Li em duas tardes.

A história oscila entre comédia e tragédia, e suspeito que seja o método favorito de Seu Luís, porque Gula também é assim. O protagonista sem nome tem uma vida oca, tediosa e frustrada e afoga tudo na cachaça num bar qualquer. Nesse bar também se afogam mais algumas personalidades que levam uma vida de igual marasmo.
Até que chega à editora em que o protagonista trabalha um manuscrito misterioso, escrito por uma autora cheia de enigmas e tramas dramáticas: Ariadne. Uma moça bonita e interiorana que coloca uma florzinha no pingo do I do próprio nome.
A história trágica, cheia de mortes, vinganças e expectativas suicidas da moça seduz os beberrões do bar, que a acompanham capítulo por capítulo, até que decidem colocar um "homem dentro", como dizem nos livros de espionagem.
Frondosa, a minúscula e pitoresca cidade natal de Ariadne, se descortina como uma peça teatral, cheia de loucos, gângsters e coisas realmente bizarras, como o rapaz que tenta dar uma de Romeu com a namorada e armar um suicídio conjunto, mas a bala endereçada ao seu crânio acaba ricocheteando e rebatizando-o de Rico; enquanto a Julieta apavorada fugia e rompia relações.

A própria Ariadne parece uma mistura de mitologia e Shakespeare. Enquanto arrasta atrás de si, com seu fio invertido, um bando de Teseus bêbados e perdidos; arma uma narração digna de Hamlet, apesar da falta de vírgulas.

É um livro com que se deve ter cuidado, pois a vontade de devorá-lo pode causar palpitações. E cuidado com spoilers... eles podem te atrapalhar no labirinto!


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